Enquanto esperava a minha vez, aproveitei o tempo lendo uma revista Veja, não sei exatamente qual a edição, mas acredito que era do início de setembro. O Corte Zero estava cheio, e mesmo tendo marcado horário com a Adriana, que corta meu cabelo há 18 anos, tive que esperar um pouco. Mas foi bom ter esperado. Li um artigo da Lya Luft, como sempre muito bem escrito. Dona de uma técnica perfeita, ela é uma das minhas mestras, gente que aprendi a admirar desde meus tempos de Famecos – Faculdade de Jornalismo da PUC-RS.
Nem sempre concordo com as suas reflexões, mas a forma como escreve é irrepreensível. O seu artigo tinha como pano de fundo a história de uma criança que morreu de uma enfermidade daquelas que a medicina entrega os pontos por não ter o que fazer. O seu pensamento foi construído em cima daquilo que não tem jeito, e por que muitos pais não agem quando tem jeito. Quanto à enfermidade, os pais perderam a criança por não ter saída, mas quantos pais perdem filhos por não saber por onde andam e com quem andam. Em suma, esse foi o teor do artigo escrito pela Lya, no que concordo totalmente.
Naquele mesmo dia, eu e minha esposa fomos convidados pelo André e Rosane – discípulos muito amados – a irmos ao cinema assistir um drama. Chegamos para a sessão das dezenove e trinta, e o filme nos pegou no contrapé. “Uma prova de amor” é um filme comovente, mas não é piegas, está longe disso. Não vou contar o filme pra vocês, quem achar que deve, vá assisti-lo, só estou me referindo à película (gostou?), porque o assunto da Lya Luft era o mesmo do filme: o que fazer quando o inexorável bate à nossa porta, quando tudo o que temos e tudo o que sabemos não resolvem?
O artigo da escritora gaúcha e o filme, num mesmo dia, provocaram a minha alma. As perguntas da Lya Luft diante da morte de uma inocente criança, e de pais irresponsáveis que têm filhos saudáveis, mas que os entregam à destruição, assim como a proposta do filme, que mostra a luta de uma mãe que vê a filha adolescente sucumbir ante a leucemia, e os desdobramentos que atingem toda a família, certamente incomodam qualquer um que tem um pingo de sensibilidade.
Creio que diante do inexorável, quando nos damos conta de que não somos tudo aquilo que imaginávamos, ou nos entregamos à descrença ou mergulhamos no etéreo. Na primeira opção, nos indignamos e estabelecemos que as tragédias da vida são provas de que Deus não existe. Na segunda opção, que é a minha, nos sujeitamos ao Deus que sabe muito mais do que sabemos, e mesmo diante do incompreensível confiamos no seu amor. E aí, cabem as sábias palavras do Salmo 46:10: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”.
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
2 comentários:
Realmente, o filme é lindo! E depois de ler sua reflexão, fui levada a pensar não nas crianças que morrem pelo inevitável, mas as cujas mortes poderiam ser evitadas, e o nosso papel nisso tudo. Pesado isso!
É por isso que temos a obrigação diante do Pai de levar o conhecimento de Deus às pessoas, para que não recaia sobre nossa cabeça o sangue delas.
BAH!!!! We have to move!!!!!!!!!!
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