Pelo barulho a impressão que dava era de que dessa vez não iria sobrar nada. Ainda que já fosse habitual um jogar objetos no outro, a barulheira de pratos sendo quebrados, e outros ruídos não identificáveis, eram de fazer crer que nada ficaria inteiro na casa ao lado.
– Chama a polícia! – Disse ela, demonstrando preocupação.
– Eu vou lá, isso já passou dos limites – Respondeu ele, totalmente indignado com o vexame dos seus vizinhos, que continuavam a se xingar mutuamente e a lançar sobre o outro o que estivesse ao alcance das mãos.
– Não se mete, meu amor. Não temos nada a ver com isso. É só ligar pra polícia que eles dão um jeito – Argumentou a mulher.
– Ah, não! Dessa vez, não. O que eles tão pensando? Tá na hora desse sujeito aprender algumas coisas sobre casamento – Falou já saindo pela porta da sala rumo à casa da contenda, certo de que estaria prestando um grande serviço à humanidade.
Ao chegar em frente à porta da sala do vizinho, no momento em que vai tocar o botão da campainha, é surpreendido quando subitamente a porta se abre e a vizinha sai correndo e gritando:
– Ele vai me matar!
Atrás dela vem o marido enfurecido em sua perseguição. Sem pensar, num ato de puro reflexo, ele agarra as pernas do vizinho furioso que cai batendo com a testa na mureta da varandinha da casa. O pretenso agressor fica tonto, o sangue jorra. A mulher fugitiva pára e volta correndo para acudir o marido. Aos prantos ela repreende o vizinho que saíra em seu socorro:
– Seu idiota. Olha o que você fez! – Apoiando a cabeça do marido ainda zonzo no seu colo, beija e acaricia a testa ensangüentada, recriminando o vizinho.
– Você é louco? Quase matou o meu marido! – Em seguida faz declarações de amor ao esposo que deitado no seu colo corresponde:
– Eu também te amo, meu amor!
Moral da história:
“Quem se mete em questão alheia, é como aquele que pega pelas orelhas um cão que passa”. (Provérbios 26:17)
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
Um comentário:
hahaha... gostei dessa!
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