A voz soou no jardim e eles se esconderam. A voz, antes prazerosamente familiar, agora incomoda, reverbera como um tormento. Eles se percebem, dão de frente com o que fizeram e, inutilmente, tentam mascarar uma situação. Por trás de árvores buscam se “proteger” da voz que parece intimá-los. Um ser firme e certeiro torna-se ambíguo, medroso e hesitante.
A naturalidade vai embora, envergonham-se ao constatar que estavam nus, até então nunca se importaram com essa condição. Porém, agora, um sentimento novo toma conta da alma, algo ruim os domina, estão completamente desconfortáveis, não conseguem ser naturais com o Criador nem com eles mesmos. Então, buscar um esconderijo lhes parece ser a saída viável.
Inseguros, começam a se explicar. Antes nada disso era necessário, simplesmente conversavam na viração do dia, desfrutando da agradável companhia do Criador. Agora, no entanto, ele diz que comeu da árvore porque a mulher que lhe fora dada por companheira lhe ofereceu do fruto proibido. Ela, por sua vez, diz que fora enganada pela serpente. Tentativas vãs de se justificarem com as próprias palavras.
E assim caiu o homem, e assim seguiu a vida debaixo de uma herança indesejável. E lá vai o homem buscando árvores existenciais na tentativa de se proteger, visando mascarar a sua condição, sem conseguir ser natural – envergonhado com a nudez da sua alma. E assim ele segue, procurando se justificar com palavras, explicando que a sua ação é resultado da ação de alguém, querendo jogar sobre outro o seu próprio fracasso.
E no meio disso tudo, lá está o Criador, com a paciência de sempre, com o amor inexplicável de sempre, esperando que o homem se volte para Ele.
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
Gênesis 3:7-13
2 comentários:
amazing...
"A graça é criada por Deus e dada ao homem." Max Lucado, porque não aceita-la em sua plenitude?
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