Ainda que não quisesse ouvir, não tinha jeito. O restaurante, se é que posso chamar de restaurante, era apertadinho. As mesas eram tão perto umas das outras que mal dava para passar entre elas. O rapazinho que fazia o papel de garçom se espremia entre elas equilibrando as bandejas onde transportava os pratos feitos que eram montados e servidos às largas aos clientes que, como eu, não tinham muito tempo pra almoçar.
Nessa época eu estava fazendo uns treinamentos em São Paulo, mas de fato trabalhava no interior do Estado. Então, uma semana por mês, dormia num hotelzinho mal-cheiroso, na Barão de Limeira, paralela com a Avenida São João – aquela mesma que o Caetano Veloso celebrizou na música “Sampa”. E durante o dia era correria pura. Sete e meia começava o treinamento. Meio dia e trinta, hora do almoço. Uma e meia, todo mundo de volta. Os horários eram rigorosos, atrasos não eram permitidos. Então, quando nos liberavam para o almoço, não esperávamos nem o elevador. Descíamos seis andares pela escada pra ganhar tempo. E aí, com passos ligeiros nos dirigíamos para o restaurante onde o preço da comida cabia no nosso bolso.
Teve um dia que ficou marcado, não pela comida, mas por dois rapazes que eu nunca tinha visto na minha vida, que estavam na mesa ao lado da minha e que não faziam nenhuma questão de serem discretos. Falavam alto e um deles compartilhava o seu dilema. Dizia ele que o salário que estava ganhando só dava pra comprar as roupas que ele precisava usar pra poder trabalhar. Num misto de indignação com conformismo, ele se explicava ao amigo:
– Meu, a grana que eu ganho é a conta pra eu poder comprar as roupas que eles exigem pra poder trabalhar. A gente tem que andar bem vestido lá. Então, eu descobri que eu tô trabalhando pra comprar roupa pra poder trabalhar! Mas o que eu posso fazer?”
Eu passei o dia com aquele diálogo na cabeça. Foi ali que comecei a me dar conta da lógica perversa que prende tanta gente nessa vida. Pessoas que vivem sem razão, que se tornaram prisioneiras de uma situação, que entram numa roda viva e não conseguem sair dela. Por outro lado, Jesus disse que Ele veio para que tivéssemos vida, e vida com abundância. Pra quem diz que o conhece, não pode almejar nada menos do que isso: “Vida Abundante”!
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
João 10:10
3 comentários:
Amém! Eu quero essa vida pra mim! Atiramos o pão na água e Deus tem nos honrado com algo novo! Um abraço e parabéns pelo material postado!
Amor, nós já conversamos sobre este episódio, mais escrito ficou maravilhoso, parabéns meu amor sem fim.
Talvez nesse momento muitos pensam que Deus não se importa com suas dores e lutas, mas Deus se preocupa com todos os seus filhos, a ponto de providenciar vinho em um casamento, moeda para um imposto, respostas a uma mulher sedenta, pães e peixes para uma multidão.
"Lancem sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós." I Pe 5:7
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