Mal a galinha cacarejou, e minha irmã saiu correndo da cozinha em direção ao quintal da nossa casa, certa de que havia mais um ovo no galinheiro. Minha mãe sempre foi muito ativa, sempre inventava coisas novas para fazer. Nessa época ela estava vivendo a sua fase granjeira. Tudo começou com um pintinho que ela comprou para me consolar quando o meu cachorro morreu de velhice. Passando pelo mercado público da cidade, comprou aquele bichinho amarelinho e levou para nossa casa. Eu era bem pequeno nesse tempo, nem me lembro direito qual foi a minha reação. Mas não é que o pintinho cresceu e virou um franguinho. Foi aí que ela teve a idéia de comprar mais alguns. E o negócio foi crescendo e de repente o quintal da casa virou uma pequena granja. Toda hora tinha uma galinha botando ovo, e isso virou diversão para nós três, os filhos mais velhos da família. A disputa era saber quem dos três seria capaz de pegar mais ovos no galinheiro.
A princípio, os ovos eram para consumo próprio, mas a produção ficou grande e a vizinhança também passou a comprá-los por um preço melhor do que se vendia no mercado. Então, quando alguma das galinhas cacarejava, a correria em direção ao galinheiro era inevitável. Como a gente se esbarrava sempre, e muitas vezes nos empurrávamos mesmo, mamãe baixou uma ordem: “Fim da corrida ao ovo”. Mas sabe como é criança, quando ela saía, para nós o decreto não estava valendo. Mas naquela tarde, assim que a ave deu o sinal, Márcia, a minha irmã mais velha, que por natureza sempre foi muito rápida, não somente foi correndo ao galinheiro, mas, na ânsia de querer mostrar o seu feito, também voltou correndo com o ovo nas mãos. Um pequeno tropeço, e lá se foi o ovo para o chão, lambuzando o piso da cozinha. É evidente que o caso chegou aos ouvidos da nossa mãe, que, sem aliviar, disciplinou a primogênita com aquela repugnante cinta de couro que tanto nos atemorizava. Ainda que nos faltasse uma compreensão maior da situação, não era pelo ovo perdido que ela apanhou, mas porque desobedeceu às ordens da nossa mãe.
“Eis que o obedecer é melhor do que sacrificar, e o atender melhor do que a gordura de carneiros”. (1 Samuel 15:22)
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
(esse texto faz parte de um dos capítulos do meu livro “Quem é que Está Falando?”, portanto é uma pequena degustação)
2 comentários:
Ah, se vc quiser voltar aos tempos granjeiros, é só entrar no Farmville do Facebook, dá pra ter galinhas e coletar ovos todos os dias! :)
Amei a história!
Beijo...
Rsrsrs... até a Rosane no Farmville. Mas Ap. Laerte, está muito boa essas degustações do livro. Quando sai?
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