E quando deu por si, já não era mais a mesma pessoa, forte e decidida como antes. Sentia-se ridículo recordando a situação que protagonizara – “Como eu pude ser tão pretensioso?” –, não se cansava de perguntar a si mesmo, envergonhado com o que fizera. O pensamento acelerado, as indagações multiplicando-se na sua mente sem, contudo, encontrar justificativa que lhe convencesse. Preso no trauma, não encontrou alternativa, a única saída que lhe restara foi a fuga para o deserto.
E lá ficou por quarenta anos, coagulando-se. Catando os pedaços, tentando colar os caquinhos que conseguiu juntar. Sua tentativa frustrada de liderar o seu povo fora um golpe duro na sua auto-estima. Não se sentia capaz de mais nada, quando muito cuidar do rebanho do seu sogro. Muito pouco para quem fora educado em toda a ciência do Egito, para quem um dia pensou ser o libertador de um povo escravizado. Entretanto, as lembranças do fracasso, de como fora rejeitado pelos seus descendentes, do assassinato que cometera na tentativa de provar quem ele era, produziram cadeias que o mantiveram preso.
Mas o tempo passou – como sempre passa – e o Deus que sempre insiste e nunca desiste, visitou Moisés. Ardeu na sarça sem consumi-la, da mesma forma como arde em nós sem nos destruir, e iniciou um caminho de volta. Quebraram-se as algemas do medo, desfizeram-se as cadeias da desconfiança, dissolveram-se as correntes que prendiam o pensamento.
Para elevar a auto-estima, Deus lhe engrandeceu o nome – enviou pragas sobre o Egito, respaldando os decretos liberados pelo servo que escolhera. Por fim, de modo assombroso, abriu o mar e fez seu povo escapar das mãos da tirania, humilhando faraó publicamente. E Moisés, desacreditado, que duvidava de si mesmo, foi o instrumento usado por Deus para fazer suas proezas.
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
(Ex 2:11-22)
Um comentário:
Um novo tempo Deus tem pra cada um de nós... linda mensagem.
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