“O solitário é egoísta e insurge-se contra a verdadeira sabedoria” (Pv 18:1)
Não estava pra ninguém, não queria ver ninguém – seu prazer estava na solidão, gostava de estar só, compartilhar lhe era extremamente doloroso. Estranhamente, sentia-se muito bem longe das pessoas, e não se importava com opiniões a seu respeito. Não teve medo de admitir que durante um tempo até mesmo pensou em dividir, mas pra ele se expor e se entregar era pena demasiadamente dura. O pensamento de se render quis lhe assaltar, porém, preso nas teias tecidas pela própria alma, declinou:
Viver com quem?
Com quem viver?
Viver com?
Conviver?
Viver sem?
Sem viver?
Viver com ninguém?
Viver comigo mesmo?
Viver sem ninguém.
Na sua ótica, o preço cobrado de quem ousa compartilhar a vida era muito alto:
– “Não vale a pena: o que se paga é infinitamente superior aos benefícios que se recebe. Então, por que correr risco? Por que se aventurar por um caminho que tem tudo pra me machucar, e mínima chance de me acrescentar alguma coisa boa?” – filosofava, embebido na sua solidão.
E assim tocou a vida, acreditando que o caminho que escolhera era o melhor. Sua casa, sua comida, seus livros, seus cachorros, tudo seu, de mais ninguém. Tudo pronto pra servi-lo no momento que precisasse, sem ninguém por perto pra lhe incomodar. Ninguém que o ameaçasse com a inconveniência de querer participar da sua vida.
ps: o texto acima é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade de alguém terá sido mera coincidência.
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
2 comentários:
linda análise... o que nos faz fortalecer o valor de alianças, com cônjuge, líderes, discípulos, amigos... crescendo pouco a pouco e acumulando uma grande riqueza; relacionamentos!
abraços a todos.
no amor de Cristo. giltelles
rsrsrs... pastor mas é semelhante a muitas vidas infelizmente.
Abrs
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