– Dá-me filhos, senão morrerei! – disse ela, inconformada com o seu ventre estéril – Acaso estou eu no lugar de Deus que ao teu ventre impediu frutificar? – respondeu ele, indignado com a pressão feita pela mulher. Mesmo sendo a amada de Jacó, o amor de seu marido já não era o bastante para Raquel. Ela queria um filho, assim como, muitas vezes, mesmo sabendo que somos amados de Deus, já não nos contentamos com essa verdade, mas queremos os resultados que buscamos.
Angustiada com a sua incapacidade, fez o seu próprio projeto. Entregou Bila ao marido para que o ventre da sua serva gerasse o filho com quem tanto sonhara. Do mesmo modo como, tantas vezes, diante da falta de resposta de Deus, buscamos as rotas alternativas crendo que elas nos levarão ao êxito sonhado. Jacó e Bila geraram Dã. Raquel comemorou como bênção de Deus, mas no seu íntimo a decepção de não poder gerar filhos permaneceu. Do mesmo jeito como comemoramos resultados fabricados por nós mesmos como se fossem milagres divinos, mas que deixam dentro de nós sentimentos de fracassos que tentamos esconder.
Todavia, o que mais lhe intrigava era saber que o Deus de Israel era poderoso para fazer qualquer coisa, inclusive abrir a sua madre e lhe dar uma criança. – Mas se Ele pode fazer, por que não faz? – Quantas vezes repetimos essa pergunta, do mesmo modo que Raquel perguntara a si mesmo. Como é difícil para uma mente limitada como a nossa, conviver com a soberania de Deus que tem o seu próprio tempo e realiza a sua vontade no momento que Ele mesmo escolhe!
E assim, no tempo que não era o seu tempo, mas no tempo do seu Deus, diz a Bíblia que o Senhor se lembrou de Raquel, lhe fez fecunda. Ela concebeu, deu à luz um filho, e disse: – Deus me tirou o meu vexame! Da mesma forma como retira o nosso vexame quando nos concede a sua bênção e cumpre em nós a sua vontade.
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
(Gn 30:1-24)
Um comentário:
Esperar é uma grande prova para nossa fé.
Postar um comentário