“Até o tolo, quando se cala, é tido por sábio, e o que cerra os lábios por entendido”.
Minha saudosa Vovó Alice, na sua sabedoria brejeira, dizia que “quem muito fala acaba dando bom dia pra cavalo”. Ainda que a explicação desse provérbio seja duvidosa (alguns sustentam que um homem do interior gostava tanto de falar, que certo dia, depois de ter cumprimentado todas as pessoas que conhecia na cidadezinha, passou a cumprimentar os cavalos que encontrava, dando bom dia aos animais e se expondo ao ridículo), temos que concordar que quem muito fala tem mais chance de errar.
O silêncio pode significar omissão. Ficar calado pode ser a manifestação da nossa covardia, entretanto, não há como negar, que o silêncio também traz consigo certa sabedoria. Muitas pessoas querem ser a palmatória do mundo. Querem falar sobre tudo, querem ter opinião sobre tudo, querem ser especialistas em tudo, e por isso falam mais do que devem; acabam dando “bom dia pra cavalo” e se expondo ao ridículo. Por uma natureza cruel que não se verga, elas não se permitem ao silêncio.
Fora os que gostam de falar e se exibir, há um outro lado da questão que deve ser destacado: a provocação. Não poucas são as vezes que somos instigados a falar. Há um toque diabólico nisso tudo, foi assim no Éden, quando a serpente provocou a mulher, querendo saber a sua opinião sobre o decreto de Deus. Foi assim com Jesus, quando no deserto viu o inimigo tentando despertar a dúvida na sua alma. Foi assim, quando fariseus trouxeram-lhe a mulher adúltera querendo o seu parecer, foi assim, quando perguntaram-lhe sobre pagar ou não pagar tributos a César. Foi assim, e sempre será assim, enquanto estivermos por aqui. Todavia, é preciso reconhecer a hora de abrir a boca ou de ficar calado. É necessário saber quando falar e o que falar, e, sobretudo, é fundamental entender quando escolher o sábio som do silêncio.
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
(Pv 17:28)
Um comentário:
Lindo demais.
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