“Jamais digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Pois não é sábio perguntar assim”.
Tudo o que tinha pra contar resumia-se ao que um dia fora feito. Do presente, nada tinha a dizer. Reportar-se ao passado lhe dava extremo prazer. Ainda que tudo estivesse tão distante, essa era a sua alegria: falar do que passou. Seus olhos brilhavam quando descrevia os momentos que vivera; na sua ótica, os tempos de outrora eram insuperavelmente melhores.
Curiosamente, seus dias de vitória não tinham o poder de impulsioná-lo para conquistas futuras, mas o prendiam à nostalgia. Estranhamente, não era a dor das derrotas, mas a alegria das vitórias passadas que gerava o sentimento de que não seria mais possível alcançar o mesmo êxito. O seu passado ofuscava o presente e roubava qualquer perspectiva de um futuro melhor.
E assim ia vivendo, prisioneiro do seu próprio passado. Sem conseguir olhar para frente, tocava a vida olhando pelo retrovisor, contemplando o que passou, suspirando de saudade de um tempo que não viveria nunca mais. Conduzido por uma emoção misturada, a alegria, de quem viveu o melhor, rivalizava com a tristeza de quem julga não ser capaz de reeditar, ou quem sabe superar, os tempos de glória.
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
(Ec 7:10)
Um comentário:
Como se diz o único que vive com o passado e tem sucesso é MUSEU.
Sempre se superando... muito bom o post.
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