Introdução: o Evangelho de João, no capítulo 3, relata um encontro entre Jesus e Nicodemos, um dos principais dos judeus. O diálogo entre o Senhor e aquele mestre de Israel, além de doutrinário, é extremamente rico. Intrigado com as coisas que Jesus fazia, Nicodemos vai ter com o Senhor numa determinada noite a fim de tirar alguns pesos da sua alma. Entretanto, Jesus o confronta, trazendo à luz uma necessidade que nem mesmo Nicodemos sabia que tinha.
Existem necessidades que estamos conscientes delas, mas existem outras que nem mesmo nós sabemos que temos. E quando elas surgem a nossa frente, muitas vezes não sabemos como lidar com elas, chegamos até mesmo a pensar que não há mais como mudá-las ou satisfazê-las.
Dentro dessa proposta, veremos nesse estudo três questões que precisam ser resolvidas antes que algo de Deus seja realizado em nós.
1. A sensação do irreversível – em primeiro lugar temos que considerar a sensação que o tempo produz em nossa vida de que as coisas se tornaram irreversíveis e não há mais chance de mudança. Jesus falou que Nicodemos precisaria nascer de novo, e ele não entendeu como isso poderia acontecer. Na sua compreensão, nascer de novo era voltar ao ventre da própria mãe já sendo homem velho, o que para ele era impossível devido ao tempo decorrido. Entretanto, a proposta de Jesus é um outro olhar sobre a própria vida.
Muitas são as situações da vida em que perdemos a perspectiva por nos curvarmos diante da sensação do irreversível que foi sedimentada pelo tempo. Perceba que estamos falando de uma sensação, não se trata de uma verdade, mas de um sentimento que amarra a alma. Quando Jesus disse que era necessário nascer de novo, evidentemente o Senhor falava de algo que deveria acontecer com Nicodemos e que certamente lhe seria possível. Mas na ótica de Nicodemos o que fora proposto era impossível acontecer.
A nossa alma pode ficar presa por decretos que ela mesma estabelece, quando não conseguimos um novo olhar sobre a mesma situação. Quando, por falta de entendimento, ficamos presos a uma falsa verdade de que não há mais jeito, quando aceitamos o veredicto de que não dá mais para voltar e recomeçar, ainda que o Senhor esteja falando que é necessário começar de novo.
2. O que posso – outra questão relevante é o confronto entre aquilo que podemos e aquilo que Deus pode. Repare que ao iniciar a conversa, Nicodemos diz que eles sabiam que Jesus era Mestre vindo da parte de Deus, porque ninguém podia fazer os sinais que Ele fazia se Deus não estivesse com Ele. Ao mesmo tempo em que essa declaração é nobre e verdadeira, ela também reflete a limitação de Nicodemos. Ele está confessando que Jesus era capaz de fazer coisas que ele não estava capacitado a fazer.
Comparando os versos 2 e 4, fica evidente a crise de Nicodemos. De um lado, aquilo que o Senhor podia fazer pelo respaldo de Deus, do outro lado, aquilo que Nicodemos teria que fazer, mas não sabia como. Em muitas situações enfrentamos a mesma crise. Olhamos para os nossos recursos e chegamos à conclusão de que não são suficientes. Todavia, não podemos nos esquecer de que os recursos que não temos são totalmente providenciados pelo Senhor. Quando Ele aponta alguma necessidade da nossa alma, é porque certamente já providenciou o necessário para supri-la.
3. A satisfação da razão – em terceiro lugar, também temos que considerar a fé na Palavra liberada por Deus. Perceba que, ao ter contato com a verdade do novo nascimento, Nicodemos busca no seu próprio conhecimento compreender o que estava sendo proposto, sem, contudo, encontrar a lógica que pudesse convencê-lo de que aquilo seria possível.
Um dos problemas da nossa alma reside no desejo de satisfazer a nossa razão. Infelizmente, muitos querem saber por que, querem ser convencidos por um processo lógico, ao invés de crerem no que está sendo dito. O ponto fundamental está na confiança de que Deus é poderoso para fazer o que eu não posso, e essa confiança sempre será resultado da fé na Palavra que Ele liberou.
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
João 3:1-4
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