"Faze-me ouvir pela manhã da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar". (Sl 143:8)
Introdução: o Evangelho de Jesus é a comunicação da graça de Deus ao homem. Não foi o homem que se interessou por Deus, mas foi o próprio Deus que se interessou pelo homem pecador, que caíra da sua presença. Se não fosse a graça divina, ninguém poderia se salvar, mas o Senhor revelou o seu amor nos amando primeiro, e nos atraiu com a sua misericórdia.
Graça é isso, é favor imerecido, é dar a alguém aquilo que ele nada fez para merecer. Evidentemente, na maioria das vezes, isso foge à compreensão humana, que abaliza o seu juízo no mérito. Se Deus considerasse o mérito humano, certamente, não ficaria ninguém pra contar a história, como afirma o Apóstolo Paulo: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3:23). Todavia, apresentando a graça divina, o mesmo Apóstolo também afirma: “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 6:23).
A nossa fé tem que se firmar nessa verdade: Deus revelou a sua salvação gratuitamente em Cristo Jesus. Todos aqueles que confiarem na obra redentora do Calvário, pela graça, receberão salvação e vida eterna. Entretanto, ainda que saibamos que é pela graça de Deus que a vida eterna se manifesta em nós, aprendemos com Davi, no Salmo 143:8, que três aspectos caracterizam a vida daqueles que vivem pela graça divina. Vejamos, então, quais são esses aspectos:
1. O anseio da alma – no início do versículo, Davi pede ao Senhor: “Faze-me ouvir pela manhã da tua graça”. Esse pedido é relevante sobre vários aspectos, mas, sobretudo, ele revela a importância que Davi dava à graça de Deus. Perceba que ele quer ouvir da graça de Deus logo pela manhã, ou seja, o salmista quer começar o dia focado na graça divina.
Isso tem a ver com a importância que nós damos à graça. Quantas vezes corremos atrás das coisas sem dar a mínima atenção àquilo que Deus quer fazer? Davi colocou a graça de Deus em primeiro lugar, logo cedo ele já queria ouvir sobre ela. Para ele, a graça vinha antes de tudo. Aqui cabe uma pergunta: “Ao iniciarmos o nosso dia, qual a colocação que a graça ocupa na nossa vida?”
Entenda que a graça de Deus se manifesta em nossa vida à medida que damos importância a ela. Sabemos que ela é fruto da bondade do nosso Pai, mas não podemos nos esquecer que o anseio da nossa alma é o que determina a intensidade da sua ação. Quanto mais eu valorizar a graça de Deus em minha vida, mais ela se manifestará em mim. Portanto, quando o dia começa, a nossa atenção tem que se voltar para a graça de Deus. É por ela que vivemos.
2. O relacionamento – o segundo aspecto a ser considerado diz respeito ao relacionamento que Davi tinha com o seu Deus. Ele diz que queria ouvir da graça de Deus, pois confiava no seu Senhor. Confiança tem a ver com relacionamento, passamos a confiar à medida que conhecemos. Quanto mais conhecemos a Deus, mais confiamos nele.
O Apóstolo Paulo, em 2ª Timóteo 1:12, nos dá uma lição a respeito de conhecimento e confiança. Veja a sua declaração: “e por isso estou sofrendo estas coisas, todavia não me envergonho; porque sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”. Mesmo enfrentando as maiores lutas da sua vida, Paulo permanece firme porque conhecia aquele em quem depositava a sua vida e esperança.
Portanto, dizer que confiamos em Deus é muito mais do que uma declaração descompromissada e leviana. A confiança que os filhos de Deus têm no Pai Celeste é fruto de um relacionamento que requer entrega e renúncia.
3. A Revelação – no final do versículo que estamos estudando, Davi faz mais um pedido: “mostra-me o caminho por onde devo andar”. A terceira consideração enfatiza uma vida que vive pela revelação de Deus. Sobretudo, temos que entender que revelação tem a ver com olhar a vida com os olhos de Deus. Por isso Davi pede: “mostra-me”. Ou seja, Davi tinha consciência de que Deus conhecia o que ele não conhecia, e queria que o Senhor lhe apresentasse o caminho correto.
Isso nos ensina que a graça divina também está relacionada com a direção que o Pai nos dá, revelando o caminho no qual devemos andar. Quantas pessoas se perdem, quando entram por caminhos tortuosos, que parecem ser caminhos de bênção, mas, na verdade, são conduzidas à destruição. A graça do nosso Deus também preserva os nossos passos, nos guardando do laço do passarinheiro.
Demonstramos a nossa confiança em Deus quando o obedecemos. Deus nos mostra o caminho, nos revela o que fazer. Entretanto, se vamos segui-lo, isso depende exclusivamente de nós. Porém, de antemão podemos afirmar que aqueles que se sujeitam à sua vontade e andam pelo caminho que Ele aponta, certamente, verão a grandiosa manifestação da sua graça.
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
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