1 João 3:18-23
Introdução: a vida de Deus excede à religiosidade humana, ela alegra o coração, e faz com que o homem se transforme na expressão da sua obra, a fonte que jorra para a vida eterna. Infelizmente, muitas pessoas mesmo conhecendo o caminho da fé, vivem aquém dessa promessa divina. São pessoas onde a vida não flui, onde as coisas não caminham, onde nada progride, onde tudo permanece empacado numa teoria que não alcança a prática.
Em 1 João 3:18 a Bíblia diz: “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade”. Veja que o apóstolo exalta nesse texto a verdade da prática que temos de ter na vida. Isso é mais do que religião, é mais que teoria, isso é vida de Deus que nos transforma e não meramente nos impõe leis. Isso é manifestação da graça.
Com base nos escritos do apóstolo João, veremos no estudo dessa semana algumas considerações necessárias a fim de que a nossa vida com Deus seja mais do que uma teoria.
1. Uma relação com Deus que faça sentido – temos que partir do princípio que Jesus veio não somente nos salvar, mas também para nos dar vida. Em João 10:10, o Senhor diz que “o ladrão vem para matar, roubar e destruir, mas Ele veio para que tivéssemos vida, e vida em abundância”. Qualquer relação com Deus que fuja a esse princípio começa a perder o sentido.
O nosso relacionamento com Deus deve produzir prazer. Quando Jesus fala de vida abundante, Ele não está dizendo que não teremos problemas, que não enfrentaremos dificuldades, ou que estaremos acima do bem e do mal. Mas a promessa de vida abundante fala do prazer de se relacionar com Ele, de vencermos os obstáculos juntos, de crescermos emocionalmente, de sermos transformados em todos os aspectos da nossa vida e sermos conformados à sua imagem.
Portanto, a relação com Deus tem que fazer sentido, não podemos nos agarrar a uma experiência religiosa (dura, gelada, sem significado, sem vida) e achar que isso é a vida de Deus. Sobretudo, a vida de Deus se resume nas palavras de Paulo: “o reino de Deus é justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17). Independente de quaisquer circunstâncias, essa é a promessa.
2. É necessário confiança – outra consideração a ser feita, é que a vida se estabelece a partir da confiança que tenho naquele que me dá a vida. No verso 21, João diz que “se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus”. O inimigo sabe que a vida de Deus se manifesta em nós pela fé, por isso ele nos ataca tentando roubar a nossa confiança. Apocalipse 12:10 refere-se a satanás como acusador, e diz que ele nos acusa de dia e de noite diante de Deus, essa é a sua estratégia para nos deter. Sem confiança ninguém vive a plenitude da vida de Deus. Evidentemente, essa confiança se expressa em dois sentidos: primeiro, confio no poder de Deus que me dá a vida, segundo, não tenho nada que me acuse a ponto de me tirar a confiança.
3. É necessário se resolver – em terceiro lugar, é necessário resolver a nossa alma diante do Pai. Infelizmente, muitas pessoas perdem o melhor de Deus porque ficam presas às suas mazelas. Estão sempre voltando aos erros do passado, culpando pessoas, ou culpando a si mesmas, retardando o processo de Deus, e nunca tomam uma atitude libertadora.
Como já vimos no verso 21, “se o nosso coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus”, mas no verso 20, João diz que “se o nosso coração nos acusar, certamente Deus é maior do que o nosso coração”. Repare que um versículo complementa o outro. Ou seja, a acusação do coração tira a nossa confiança, quando nós mesmos não concordamos com aquilo que fazemos. É desse modo que entramos em crise, pois quando a nossa autoavaliação nos condena, perdemos a paz interior.
Todavia, perceba que João diz que Deus é maior que o nosso coração. O que o apóstolo está nos ensinando é que nós somos limitados, e sempre vamos encontrar os nossos limites, mas os nossos limites serão superados quando estivermos dispostos a vencê-los na presença de Deus. Por isso, tem que haver em nós a disposição de nos resolvermos diante de Deus, com honestidade, com quebrantamento, com o reconhecimento das nossas limitações. Entretanto, se não tomarmos essa atitude, a vida deixa de fluir e perdemos o melhor do Pai.
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
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