Era uma vez uma jovem cheia de sonhos que fora prometida em casamento ao herói da sua nação. Ele se tornara o homem mais popular do país por ter vencido um gigante desaforado que humilhava os soldados da sua pátria. Cheio de ousadia, com uma confiança sobrenatural, ele enfrentou o gigante, derrubando-o com uma pedrada certeira no meio da testa e concluindo o trabalho cortando-lhe a cabeça com a própria espada do gigante.
O pai da jovem, rei da nação, prometera, àquele que vencesse o gigante, a sua filha em casamento. A menina se encheu de sonhos, passou a amar o jovem mais famoso do reino, o herói admirado por todos. Como dote, seu pai pediu ao herói que fossem apresentados cem prepúcios dos inimigos filisteus. Achando pouco, o jovem guerreiro dobrou o dote e trouxe duzentos prepúcios ao rei. Mais do que nunca, a jovem se sentiu amada, e seu pai lhe entregou como mulher ao jovem herói.
Porém, por essas voltas que a vida dá, o pai foi tomado por um ciúme doentio e passou a perseguir o genro – com medo de perder o reino para o popular herói. Desse modo, a jovem viu seu marido ir embora a fim de salvar a própria vida. Muitos anos se passaram. Os sonhos da jovem também passaram, como resultado dos desvarios do pai, ela se viu privada do amor da sua vida.
Durante os anos de separação uma nova realidade surgiu. Casou-se novamente. Não mais a paixão pelo jovem herói, mas a companhia de um homem que lhe amava e respeitava. Mas não é que a vida deu novas voltas: o seu amor do passado, logo após a morte do enciumado pai, é aclamado rei da nação, e exige que a sua primeira esposa volte para ele e se ajunte as outras esposas que conquistara ao longo dos anos em que estiveram separados. Diante da exigência do novo rei, ninguém ousou desagradá-lo. Mais um trauma: aquela que fora uma jovem sonhadora, mas agora uma sofrida mulher, vê aquele que esteve ao seu lado durante os duros anos que a vida lhe impôs, indo embora, chorando, enquanto ela era tomada a força pelos soldados que lhe conduziam de volta ao seu antigo marido.
Desse modo ela voltou à corte. Não mais a filha do rei, mas uma das esposas do novo rei. O sonho de menina-moça estava tão distante. Um dia ela sonhara com o jovem herói, mas não daquela forma. Entretanto, foi assim que aconteceu: deixou de sonhar. Porém, seu marido continuava sonhando. Sonhava em levar a arca da aliança para Jerusalém, e quando finalmente conseguiu, cheio de júbilo, dançou a frente do cortejo. Na sua sequidão, a mulher criticou o rei chamando-o de vadio. Sua alma árida não lhe permitia compreender a alegria dos outros. Assim foi a sua vida, nem mesmo filhos ela teve, pois seu ventre, assim como a sua alma, se tornou estéril.
Essa é a história de Mical, filha do rei Saul, primeira esposa de Davi, o jovem que matou o gigante Golias e se tornou rei de Israel. Infelizmente, essa é a história de muitas pessoas que perderam a capacidade de sonhar, e que, devido às voltas que a vida dá, não conseguem conviver com a alegria daqueles que sonham e celebram as suas conquistas. Todavia, mesmo para aqueles que foram solapados nos seus sonhos, há esperança. Ninguém precisa seguir o caminho de Mical, por mais dura que a jornada seja, Deus tem um final de história muito melhor para nós.
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
1 Samuel 17/ 1 Samuel 18:20-25/ 2 Samuel 3:13-16/ 2 Samuel 6:20-23
4 comentários:
sou tua fã, claro... mas esta crônica está uma pérola de bem escrita, prendendo a atenção do leitor...
mais uma vez, parabéns!
Pastor sinto muito a falta das nossas converssas e de ouvir suas menssagens,assim como saudades de sua familia e do Pr.manoel e Pra. Leila.
Sempre seu Amigo.
Oi, amado!
Nós também sentimos muita falta de vocês.
Quem sabe,algum dia desses, possamos nos encontrar?
Lindo demais... é de chorar... pensei até em parar por hoje, mas já já reciclo.
Amei apóstolo, falou profundamente.
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