sexta-feira, setembro 18, 2009

Pior que Terra Deserta

Mal pisou dentro de casa e a metralhadora verborrágica disparou.

– Você não disse que chegaria às sete? Já deu uma olhada no relógio?

– Claro! – Responde o marido, já prevendo o que teria que enfrentar.

– Pois, então, César Augusto. São quase dez, onde você estava? – Pergunta a mulher aumentando o volume da voz.

– Estava no escritório, Maria Clara! – Ele responde abrindo a geladeira para pegar a garrafa d’água.

– No escritório... Sei, no escritório... No escritório coisa nenhuma. Você estava bebendo com aqueles amigos pervertidos, que só sabem falar de mulher – Explodiu ela, quase que espumando pela boca de tanta raiva.

– Eu não estava com amigos, muito menos bebendo. Eu estava no escritório terminando relatórios que tenho de entregar na segunda-feira. Eu preferi terminar o meu trabalho lá, pra não ter que trabalhar em casa nesse fim de semana. Entendeu, Maria Clara?

– Você acha que eu sou boba? Você acha que me engana? Eu sei muito bem que você estava com aquela corja que você chama de amigos. Enquanto isso, eu aqui cuidando das crianças. Você sabia que eu fui chamada na escola por causa do Cezinha? O comportamento dele está cada vez pior, se não melhorar, ele será suspenso. O vaso sanitário do banheiro das crianças entupiu e elas estão usando o nosso. A Teresa não veio trabalhar hoje e eu tive que arrumar a casa sozinha. O cachorro da Clarinha vomitou o dia inteiro, não sei o que foi que ele comeu, mas é uma sujeira só. O rapaz que viria arrumar o aquecedor a gás, não veio, e nós estamos sem água quente. Eu engoli o dente que o Dr. Carlos implantou na semana passada. Você não viu que eu tô banguela? E você, César Augusto, bebendo e falando de mulher!

– Eu não estava bebendo, Maria Clara!

– Estava sim! – Esbraveja a mulher indo pra cima do marido.

– Que é isso, Maria Clara! Para com isso! – Diz ele tentando conter a mulher que de qualquer modo tenta cheirar a sua boca.

– Deixa eu cheirar, deixa eu cheirar essa boca fedendo a álcool!

– Você enlouqueceu! – O homem grita, pegando a chave do carro e se dirigindo para a porta de saída da casa.

– Aonde você vai? – Pergunta a mulher.

– Vou pro sítio!

– Pro sítio? Mas no sítio não tem luz, não tem água encanada, não tem nem cama, e ainda aquele monte de pernilongos. O que você vai fazer naquele sítio sem conforto?

– Qualquer lugar no mundo longe de você é um paraíso, Maria Clara! – Decretou o marido saindo pela porta da sala levando consigo uma caixa de comprimidos para dor de cabeça.

Moral da história:

“Melhor é morar numa terra deserta, do que com a mulher rixosa e iracunda”. (Provérbios 21:19)

No amor de Jesus,

Laerte Cardoso

Um comentário:

rvlopes disse...

É verdade... mas vale para o outro lado também. Tem marido que faz o trabalho ou qualquer lugar longe dele ser o paraíso.