Quantas vezes falamos para nós mesmos que se tivéssemos recursos à nossa disposição a nossa jornada seria diferente. Não raramente, em nossa boca, são achadas declarações como essas: “Ah, se eu tivesse dinheiro suficiente eu ajudaria os meus pais!”. “Ah, se eu tivesse tempo serviria a Deus melhor!”. “Ah, se eu tivesse condições, certamente faria aquele curso!”. “Ah, se eu tivesse isso!”. “Ah, se eu tivesse aquilo!”. Na verdade, estas expressões são desculpas esfarrapadas que usamos para tentar justificar aquilo que não fizemos. Ainda que, inegavelmente, em muitos casos, não tenhamos em nossas mãos os recursos necessários, deixar de fazer não se justifica porque, certamente, mesmo que os recursos que temos não sejam o suficiente para satisfazer ao nosso perfeccionismo, também é inegável que algum recurso, ainda que pequeno, Deus colocou em nossas mãos.
Quando Deus disse a Satanás para observar a conduta de Jó, o inimigo disparou rapidamente: “Porventura Jó debalde teme a Deus? Acaso não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoastes, e os seus bens se multiplicaram na terra” (Jó 1:9, 10). Em outras palavras, Satanás disse: “Ele tem tudo”. Esse argumento deflagrou um processo que transformou a vida de Jó e lhe deu um novo entendimento de Deus. A Bíblia diz que Jó era homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desviava do mal. Entretanto, havia um argumento maligno contra ele, ou seja, o adversário disse que Jó não era capaz de ser fiel no pouco, no caso dele, o seu pouco se tornou em quase nada. Porém, Jó, mesmo sem compreender, permaneceu fiel, e Deus o colocou numa medida sobrenatural: ele perdeu sete filhos e três filhas, a Bíblia diz que Deus o restituiu com outros sete filhos e três filhas; ele perdeu sete mil ovelhas, Deus lhe deu catorze mil ovelhas; ele perdeu três mil camelos, Deus lhe deu seis mil camelos; ele perdeu quinhentas juntas de boi, Deus lhe deu mil juntas de boi; ele perdeu quinhentas jumentas, Deus lhe deu mil jumentas. O último estado de Jó foi mais abençoado do que o primeiro, porque ele foi fiel no pouco que tinha. Digo pouco, porque ele teve a sua vida preservada, e enquanto estivermos vivos as coisas podem ser mudadas.
A premissa de ser fiel no pouco é o que conta para Deus. Em Mateus 25, na parábola dos talentos, mais do que em qualquer outro lugar na Bíblia, isto fica claro. O senhor que se ausentou das suas terras, antes entregou aos seus servos talentos que deveriam ser utilizados para o crescimento dos seus negócios. Um recebe cinco, se esforça e conquista outros cinco. Outro recebe dois e, na mesma medida, conquista outros dois. Ou seja, é plenamente possível com esforço diligente dobrarmos o que temos nas mãos. Entretanto, alguém recebe um talento, isto é, menos recursos, e ao invés de trabalhar com o pouco dentro daquela medida de fidelidade, ele enterra e desiste de lutar por medo de se expor ao fracasso.
O que se acovardou foi chamado de servo mal e negligente, porque se entregou ao medo da alma, porque teve interpretações erradas do seu senhor, mas aos que se esforçaram e lutaram por uma conquista, a esses a Bíblia diz que, porque no pouco foram fiéis, no muito seriam colocados. O pouco é a medida que Deus nos deu, a capacidade de realização que todo ser humano tem, uns menos outros mais, mas todos têm. O muito é o sobrenatural de Deus, pois Ele ceifa onde não plantou e ajunta onde não espalhou (Mt 25:24). Estamos capacitados a dobrar os recursos que temos em nossas mãos, quem tem dois terá quatro, quem tem cinco terá dez, quem tem dez terá vinte, e assim por diante. Se agirmos desse modo, Deus nos colocará numa medida sobrenatural de conquista. Iremos colher o que não semeamos e ajuntaremos o que não espalhamos. Veja o caso de Jó, no seu último estado, ele alcançou o dobro do que um dia ele teve. Mas quando Deus dobrou, na verdade, Jó não tinha mais nada, isto é sobrenatural. Só Deus pode fazer isso. O dobro do nada é nada, mas para Deus não.
A única coisa que restou para Jó foi a sua vida, Deus não permitiu ao inimigo que intentasse contra ele. Nenhum recurso sobrou para Jó; ele ficou sem dinheiro, sem posses, sem família, sem amigos. Mesmo diante das maiores adversidades, a Bíblia diz que “em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma” (Jó 1:22), ou seja, ele foi fiel no pouco. Portanto, reavalie a sua capacidade, perceba o quanto podemos fazer com “o pouco” que temos. Veja quantos recursos você já tem em suas mãos. Não fique pensando naquilo que você não tem, não fique paralisado por uma interpretação errada da vida. Seja fiel naquilo que Deus já disponibilizou, trabalhe diligentemente para dobrar o que você tem nas mãos. Então, o Todo-Poderoso lhe elevara à categoria de servo bom e fiel, no muito você será colocado, numa medida de conquista sobrenatural!
No amor de Jesus,
Laerte Cardoso
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